terça-feira, 4 de agosto de 2009

A ORIGEM E QUEDA DE SATANÁS

INTRODUÇÃO
Um dos maiores mistérios bíblicos é a queda de Satanás. Nunca no universo houve, há ou haverá traição maior que a cometida por Satanás. Não vemos na Bíblia muitas explicações detalhadas a respeito deste assunto, até mesmo pelo fato deste não ser o assunto fim da Bíblia. A Palavra de Deus tem um outro intuito para o homem, e ela fala sobre Satanás para nos alertar a respeito de um inimigo que existe e é mais real do que possamos imaginar.

Durante muitos e muitos séculos homens vêm negando a existência do inimigo bíblico, da maneira como é narrado pelo cristianismo. Muitos crêem que ele é um espírito de luz (por incrível que se pareça), outros o chamam de pai (mais conhecidos como satanistas), e outros simplesmente negam a sua existência. Dentre várias visões a seu respeito, seja qualquer uma dessas mostradas acima,ou todas as outras divergentes da Bíblia, acabam por abrir uma brecha muito grande na vida do homem para a atuação do inimigo. Afinal, quando desacreditamos na existência de um inimigo, ou quando consideramos um inimigo como sendo amigo, deixamos que ele faça o que quiser em nossas vidas, e nos leve para onde quiser.


A LINHAGEM DE SATANÁS


De Isaías 14 e Ezequiel 28 emerge um quadro relativamente extenso de Satanás antes de sua rebelião.
Sua pessoa: Ele foi o ser mais exaltado de toda a criação (Ez 28.13,15), a mais grandiosa das obras de Deus, um ser celestial radiante, que refletia da maneira mais perfeita o esplendor de seu Criador. Assim, ele apropriadamente era chamado de Lúcifer. Essa palavra vem de uma raiz hebraica que significa “brilhar”, sendo usada unicamente como título para referir-se à estrela de maior brilho e cujo resplendor mais resiste ao nascimento do Sol. O nome Lúcifer tornou-se amplamente usado como título para Satanás antes de sua rebelião porque é o equivalente latino dessa palavra. Na realidade, é difícil saber com certeza se o termo foi empregado com o sentido de nome próprio ou de expressão descritiva.
Seu lugar: Ezequiel afirmou que esse anjo exaltado estava “no Éden, jardim de Deus” (Ez 28.13). Aqui, a referência não é ao Éden terreno que Satanás invadiu para tentar a humanidade, mas à sala do trono em que Deus habita em absoluta majestade e perfeita pureza (veja Is 6; Ez 1). Ezequiel 28 também chama esse lugar de “monte santo de Deus”, onde Lúcifer andava “no brilho das pedras” (v. 14). Essas descrições não são apropriadas ao Éden terreno, mas adequadas à sala do trono de Deus, conforme representações em outros lugares da Escritura.Sua posição: Satanás é denominado “querubim da guarda ungido” (Ez 28.14). Querubins representam a mais alta graduação da autoridade angélica, sendo seu papel guardar simbolicamente o trono de Deus (compare os querubins esculpidos flanqueando a arca da aliança – o trono de Javé – no Tabernáculo ou Templo, Êx 25.18-22; Hb 9.5; cf. Gn 3.24; Ez 10.1-22). Lúcifer foi ungido (consagrado) por sentença deliberada de Deus (Ez 28.14: “te estabeleci”) para a tarefa indizivelmente santa de guardar o trono do todo-glorioso Criador. Ele é descrito como sendo dotado de beleza inigualável, vestido de luz radiante, equipado com sabedoria e capacidade ilimitadas, mas também criado com o poder de tomar decisões morais reais. Portanto, a obrigação moral mais básica de Satanás era a de permanecer leal a Deus, de lembrar sempre que, independentemente de quão elevada fosse a sua posição, seu estado era o de um ser criado.


A QUEDA DE SATANÁS


Neste ponto, encontramo-nos diante de um dos mais profundos mistérios do universo moral, conforme revelado nas Escrituras: “Como é que o pecado entrou no universo?” Está claro que a entrada do pecado tem conexão com a rebelião de Satanás. Mas, como foi que o impulso perverso surgiu no coração de alguém criado por um Deus perfeitamente santo? Diante de tal enigma, temos de reconhecer que as coisas encobertas de fato pertencem a Deus; as reveladas, no entanto, pertencem a nós (Dt 29.29). E três dessas realidades claramente reveladas merecem ser enfatizadas:
Primeiro: a queda de Lúcifer foi resultado de sua insondável e pervertida determinação de usurpar a glória que pertence unicamente a Deus. Esse fato é explicitado em uma série de cinco afirmações que empregam verbos na primeira pessoa do singular, conforme registradas em Isaías 14.13-14. Nisto consiste a essência do pecado: o desejo e a determinação de viver como se a criatura fosse mais importante que o Criador.
Segundo: Satanás é inteira e exclusivamente responsável por sua escolha perversa. Nisso existe uma dimensão inescrutável. Alguns têm argumentado que Deus deve ter Sua parcela de responsabilidade por este (e todo outro) crime, porque, caso fosse de Seu desejo, poderia ter criado um mundo em que tal rebelião fosse impossível. Outros dizem que, se Deus tivesse criado um mundo em que apenas se pudesse fazer o que o seu Criador quisesse, nele não poderiam ser incluídos agentes morais feitos à imagem de Deus, dotados da capacidade de tomar decisões reais – e, conseqüentemente, de escolher adorar e amar a Deus. Há verdade nessa observação, mas também há mistério. O relato deixa claro que o orgulho fez com que Lúcifer caísse numa terrível armadilha (Is 14.13-14; Ez 28.17; cf. 1 Tm 3.6), mas nada explica como tal orgulho de perdição pode surgir no coração de uma criatura de Deus não caída e perfeita.
No entanto, não há mistério quanto ao fato de que Satanás é, totalmente e com justiça, responsável pelo seu crime. Ezequiel 28.15 afirma explicitamente que Lúcifer era perfeito desde o dia em que foi criado, “até que se achou iniqüidade em ti”. A culpabilidade moral é dele, e apenas dele. Na verdade, em toda sua extensão, a Bíblia afirma que Deus governa soberanamente o universo moral e controla todas as coisas – inclusive a maldade de homens e anjos – para que correspondam aos seus perfeitos propósitos. Mas ela também ensina que Deus não deve e não será responsabilizado por essa maldade, em qualquer sentido.
Tudo isso pode parecer contraditório, mas não há, na verdade, contradição alguma. Entenda que Deus é soberano sobre todas as coisas, logo, Ele não permite que o mal saia do controle (do contrário, tudo já haveria sido destruído, tendo em vista a falta de limites para o mal), Ele é onisciente, ou seja, tudo o que acontecerá Ele já conhece de antemão, mas ainda que Ele conheça tudo o que acontecerá e permita que a liberdade individual seja exercida, isso não o torna culpado pelos pecados, tanto de Satanás e seus demônios, como dos homens.
Em resumo, o fato do livre-arbítrio é proveniente de Deus, mas os atos do livre-arbítrio são de responsabilidade daqueles que os praticam. O que isso quer dizer? Satanás, desde o início, gozou de liberdade, em todos os aspectos, mas ele sempre teve responsabilidade sobre essa liberdade recebida do seu Criador. Em seu livro "Eleitos, mas livres", Norman Geisler usa a seguinte ilustração: o governo te dá uma habilitação para dirigir livremente por onde você quiser. O governo não intervém nos tragetos que você quiser seguir. Mas se por algum motivo você resolve fazer atrocidades no trânsito, quem deverá ser penalisado? Você ou o governo? Esse é o mesmo princípio a ser aplicado na questão da queda de Lúcifer, ele tinha a liberdade, e Deus não pode ser culpado pelos atos dele, mas ele deve pagar por sua escolha moral.
Finalmente, por causa de sua rebelião, Satanás tornou-se o arquiinimigo dos planos de Deus e de tudo o que é divino. Sua queda – bem como a dos espíritos que se uniram a ele – é irreversível; não há esperança de redenção. Satanás foi privado da comunhão com o Deus Santo de forma final e irrecuperável. Para ser exato, Satanás ainda tem acesso à sala judicial do trono do Universo por causa de seu papel de acusador dos irmãos, papel este que lhe foi designado divinamente (Jó 1 e 2; Zc 3; Lc 22.31; Ap 12.10). Tal acesso, no entanto, é destituído da comunhão com Deus ou da Sua aceitação. Devido à sua traição, que foi a mais terrível na história do cosmo, Satanás e seus anjos somente podem esperar a condenação e a punição eternas (Mt 25.41).
Texto Base de Douglas Bookman - Israel My Glory - http://www.chamada.com.br/
Edição final para o Atalaia de Sião: Rafael  S. Gomes
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, setembro de 2002.