quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O GOSPEL, OS CRISTÃOS E A IGREJA

Somos feitos como aqueles sobre quem tu nunca dominaste, e como os que nunca se chamaram pelo teu nome. Isaías 63.19

Vivemos tempos difíceis, em que a Igreja de Cristo tem respondido por ações impensadas (ou maquinadas) de líderes pífios, e que arrastam multidões de fiéis, que em sua maioria carregam consigo motivações questionáveis quando à fé em Jesus Cristo. Cegos guiando pessoas que não querem enxergar (Mateus 15.14).
Inúmeras são as vezes que nos deparamos com escândalos no meio gospel, pastores envolvidos em situações no mínimo embaraçosas, cantoras e cantores evangélicos apresentando testemunhos reprováveis, músicas vazias que não reportam, em momento algum, à fé verdadeira, ou à vida cristã exemplar.

Vemos na atualidade uma comunidade evangélica carregada de mundanismo, embriagada de futilidades e liturgias sem valores. Cristãos que não se preocupam em estudar o livro mais importante de todos, a Bíblia, e por isso não sabem fundamentar a sua fé, e nem mesmo conhecem as doutrinas mais básicas da fé cristã, contribuindo assim para a multiplicação de heresias absurdas e ideias estúpidas do meio gospel.
Não pára de crescer o mercado da fé. Outrora tínhamos as indulgências, agora, bonecos de cantores, toalhas banhadas no suor do apóstolo, copos com água ungida, bênção daqui e dali, para isso ou para aquilo, e por aí vai. Somadas a isso, temos as comunidades (ditas, igrejas) que ocupam os horários das rádios, propagando a mentirosa e imunda Teologia da Prosperidade às massas de fiéis de todo o país.

Devo considerar aqui também uma questão extremamente importante, com relação a muitos cristãos do nosso contexto. Muitos destes, apesar de frequentarem igrejas sérias e comprometidas, permitem-se pastorear-se por homens comprometidos com o lucro e consigo mesmos, através das diversas mídias atuais, e que em nada têm compromisso com Cristo e com a Sua Igreja.

Diante deste trágico cenário instalado no meio do povo de Deus, me pego a ler o versículo base desta postagem, Isaías 63.19, e penso que assim como Isaías se incluiu no meio daquele cenário, como parte responsável pelo estado do povo, nós cristãos temos que assumir a mesma postura diante da crise moral vivida pela Igreja deste século.

É necessário quebrantamento, arrependimento, e acima de tudo, reconhecer que somos pecadores carentes da glória e graça de Deus a cada dia. Não posso olhar para tudo isso que tem acontecido e simplesmente fingir que não vejo nada de errado acontecer. Não posso ser conivente com o mercado da fé, pois ele é imundo, e não tem parte com Deus. Não posso ser conivente com o gospel, essa praga capitalista que tem se espalhado pelo meio da Igreja, e servido única e exclusivamente para trazer mácula sobre a noiva do Cordeiro.

Agimos muitas vezes como se Deus não tivesse domínio sobre nós, esquecemos de quem é o Senhor, e que somos parte de um povo chamado pelo nome do Senhor.

Crente, acorde e faça a diferença nesse mundo! Não se permita influenciar pela mídia gospel, que tem som e imagem de santo, mas esconde um caminho distante do Senhor Jesus e da verdadeira essência do evangelho. Busque o caminho da cruz, o caminho estreito do qual poucos querem ter parte.

Em Lucas 5.1-10, vemos que a multidão apertava Jesus para ouvir as suas palavras, até que Jesus se afasta da multidão e entra no barco de Pedro, dali ele fala à multidão, mas o melhor ficou para Pedro e seus companheiros. Aqueles que estavam mais próximos receberam melhor alimento, e foram transformados. A multidão ouviu, e provavelmente muitos foram embora, mas os que tiveram verdadeiro encontro, permaneceram.

Não é na multidão dos movimentos gospel que você encontrará verdadeiro alimento, mas é na presença íntima de Cristo. Não é com grandes grupos avivados que você encontrará a presença de Deus (embora eu não descarte a possibilidade disso acontecer), mas normalmente, as maiores experiências são em solitude com o próprio Deus, ocorrem no encontro secreto e íntimo com o teu Criador (Mateus 6.6). Nossa fé não é forjada por eventos evangélicos, mas pela presença diária na presença do Senhor.

Que nós nos sintamos responsáveis, assim como Isaías se sentiu, para inicarmos a partir de nós mesmos uma mudança relevante para a Igreja e, por consequência, para o mundo.

Que o Espírito Santo te incomode, assim como me incomodou, e nos conduza a essa mudança de mente diária! Amém!