sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

SANSÃO: UM SIMBOLISMO DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA


E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras, e molestando-o, a sua alma se angustiou até a morte. Juízes 16.16


Por Jefferson Paiva


Cada um de nós em algum momento de nossa breve vida pôde experimentar na pele o quanto a impaciência, de certa forma, nos tira do eixo e nos deixa meio desconfortáveis, ansiosos, perdemos um pouco o controle de nós mesmos, perdemos o domínio próprio.
Eu dei o título a esse texto de: Sansão, Um Simbolismo Da Sociedade Contemporânea, apesar de parecer um título complicado e meio pomposo, não é. Quis chamar a atenção para o quanto há de similar na vida de Sansão e o momento atual, tanto da igreja quanto da sociedade.

Vivemos em um mundo muito corrido, onde tudo é para ontem, os sites de buscas e as redes sociais nos deixam a um clique de distância dos nossos objetivos, e um minuto de demora se torna uma eternidade, então perdemos a paciência, às vezes perder a paciência pode custar caro como custou a Sansão.
Acredito que dentre todos os juízes Sansão seja o mais lembrado e seus feitos e suas histórias as mais contadas e narradas, mas vale à pena relembrar quem foi Sansão.
Sansão era filho de Manoá, da tribo de Dã, e sua mãe, que não se sabe o nome devido à cultura judaica ser um tanto quanto machista, era estéril, mas quando o Anjo do Senhor lhe aparece diz que nascerá um filho que será nazireu de Deus. O voto do nazireado era um voto de consagração a Deus, não era obrigatório, era você quem escolhia, podemos encontrar em Nm. 6. 1-8, mas na história há pelo menos três nazireus escolhidos por Deus, por assim, dizer: Sansão, Samuel e João Batista. E o que eles não podiam fazer? Um nazireu de Deus não podia beber vinho, nem qualquer bebida forte, sobre a sua cabeça não deveria passar navalha ele deveria deixar os cabelos crescerem livremente e não deveria tocar em cadáveres, teoricamente isso era o que Sansão não podia fazer, mas ele era intempestivo, não pensava muito, agia por emoções, era auto-suficiente, lhe sobrava força e lhe faltava paciência.           
Na maioria das vezes nós não percebemos, mas o inimigo é extremamente sorrateiro, ele tem bastante paciência, ele nos ronda e nos vigia, à procura de pontos fracos, e com Sansão não foi diferente. Em meio a feitos magníficos, Sansão foi pouco a pouco cedendo a seus caprichos e vaidade, ser nazireu é ser consagrado e Sansão foi quebrando seus votos um a um, fez alianças com o inimigo, casando-se como uma mulher de outra nação o que não era permitido, era dado à bebida e já havia tocado em cadáver, mas havia um voto que ele ainda não havia quebrado, não havia cortado os cabelos.
Sansão havia se apaixonado por Dalila, mas ela devia lealdade aos Filisteus. Os príncipes Filisteus pediram que ela o persuadisse para que ele revelasse então o grande segredo de sua força, por três vezes ele enganou Dalila, mas ela foi insistente e Sansão perdeu a paciência, revelou o segredo que por ser nazireu, não podia cortar os cabelos se cortasse, seria igual a qualquer homem, então ela o embebedou e o fez dormir, cortaram-lhe os cabelos e arrancaram-nos os olhos.
Nem todo o exército Filisteu foi capaz de derrotar Sansão, mas um único sentimento o fez sentir o peso de uma derrota, a falta de paciência. Ele foi derrotado por ele mesmo. A Bíblia nos fala sobre essa eterna batalha entre a carne e o espírito, é uma luta diária e quantas vezes assim como Sansão, também perdemos essa batalha? E o que eu chamo de perder essa batalha é dar lugar à carne, aos sentimentos carnais, assim como a falta de paciência. A impaciência demonstra uma total falta de confiança nos planos divinos, a impaciência diz ao nosso Deus que talvez ele não seja capaz de cuidar plenamente de nossas vidas, a impaciência nos dá uma falsa sensação de que para que tudo aconteça precisamos fazer alguma coisa, a impaciência nos cega e isso é perigoso.
Mas o que fez Sansão sentir o gosto da derrota, não foi o fato de lhe cortarem o cabelo, o segredo não estava no cabelo. O cabelo era uma espécie de manifestação do voto de consagração, era a manifestação visível de sua consagração, ele não perdeu a força quando bebeu vinho, porque o não beber simbolizava manter mente o corpo em plena sanidade, ele não perdeu a força quando tocou animal impuro, pois o não tocar simbolizava manter o corpo longe de impurezas, mas perdeu a força quando lhe cortaram os cabelos porque simbolizava a manifestação visível do seu voto de consagração, aquilo que o tornava um ser separado dos demais. E o que o tornou um ser igual a todos os outros ao ponto de romper com Deus seu voto de consagração? A sua falta de paciência.
Na atualidade, um dos grandes problemas chama-se: IMPACIÊNCIA. Ela tem sido a grande vilã na vida de muita gente; há quem chegue a ponto de ter até reações e problemas físicos por causa da impaciência.  Quantas e quantas vezes também não agimos impacientemente, não conseguindo esperar pelo agir de Deus?! Quantas situações não complicam nossa vida, justamente, porque somos impacientes? Aprender a esperar pela mão do Senhor não é tarefa fácil, mas não é impossível. Muitas vezes, não devemos esperar pela resposta, mas o esperar, muitas vezes, faz parte da resposta.
Nas Escrituras Sagradas, encontramos em Gl. 5.22, Paulo falando acerca dos frutos do Espírito e cita a longanimidade, ou paciência. Ser paciente é demonstrar para a Igreja que temos o Espírito Santo em nós é também demonstrar ao mundo que somos diferentes, afinal, nossa missão é ser corpo de Cristo, os frutos são nossa manifestação visível de um voto de consagração eterno, haja vista, que o sacrifício de Cristo por nós é eterno.
Tenhamos a consciência de que perder a paciência é inerente aos nossos sentimentos humanos, mas que isso não seja uma constante em nossas vidas. Que possamos pacientemente ouvir a voz do Senhor e deixarmos ser levados pelo vento do Espírito Santo, seja pra onde for. Afinal quem dentre vós é Deus para julgar quanto tempo devemos esperar? Paciência meu irmão, Deus sabe o que faz, diferente de mim e você. Amém!