quinta-feira, 7 de março de 2013

O FIM DO MUNDO, A INCREDULIDADE E O JUÍZO


Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Isaías 5.20
O ano de 2012 terminou e passamos a salvo pelo tão temido dia 21/12/12, data em que, segundo uma profecia Maia, o mundo terminaria. Muitas pessoas viveram o dito período em grande angústia, pois esperaram pelo fim. Outras pessoas, conforme noticiado pela imprensa internacional, correram para adquirir abrigos contra ataques nuclear, ou outros tipos de catástrofes naturais. Esses abrigos contavam com estoques de mantimentos, medicamentos e até mesmo armamentos à disposição do proprietário¹.
Por outro lado, os aproveitadores místicos de plantão lucraram com o iminente “fim do mundo”, alugando cavernas como abrigos “à prova de apocalipse”, excursões esotéricas a lugares especiais (como Chapada dos Guimarães ou Diamantina), onde supostamente as naves alienígenas costumam aparecer com mais frequência, e que possivelmente arrebataria alguns poucos escolhidos. Além disso, pessoas chegaram a enviar inúmeras cartas à NASA relatando sua preocupação com as teorias de “fim do mundo”, forçando a agência a pronunciar-se a respeito, a fim de evitar suicídios em massa ².
Além das profecias maias, houve um grande reboliço na última passagem do milênio, onde a frase "de mil passarás, mas a dois mil não chegarás" era pronunciada como se fosse passagem bíblica. Talvez o nome mais popular no período tenha sido o de Nostradamus, por conta de suas profecias acerca do fim dos tempos. Um pouco antes da passagem do milênio houve também a preparação para o "bug do milênio". Muita especulação a respeito da tecnologia veio à tona, com teorias inflamadas a respeito da paralisação do mundo, pelo fato de computadores e outros equipamentos eletrônicos não estarem prontos para a passagem de 1999 para 2000.
Enfim, nos últimos anos e décadas sobraram teorias para o fim do mundo, sobraram especulações e charlatanismo, expectativas e frustrações. Ouvimos muitas falácias e profetadas, muita expectativa, mas nada aconteceu. Mais uma vez nada aconteceu, e os corações mais uma vez se endureceram.
Tudo isso poderia ser visto pelos cristãos como algo bom, afinal de contas as previsões alegadas fora da Bíblia caem por terra a todo o momento. Mas na verdade, não é bem assim que devemos enfrentar essa questão.
A incredulidade tem se fortalecido no mundo e pode ser expressa como nos versos 18 e 19 de Isaías 5; a humanidade chama para si o pecado, e de forma sarcástica parece pedir a Deus que se apresse e faça Suas obras para que o mundo creia na Sua existência. Na verdade, a humanidade vive pedindo a Deus o mesmo sinal que os fariseus pediram a Jesus (Lucas 11.29), mas nenhum sinal a mais lhes será dado além dos que já foram profetizados e confirmados, e que a cada dia se intensificam em seu cumprimento.
Em outras palavras esse espírito de incredulidade dá ao homem a ideia de que este pode se despreocupar e pecar à vontade, sem se preocupar com a volta de Cristo e o dia do juízo, afinal, já se passou tanto tempo que essa história de fim do mundo já “caducou”.
O grande desafio para a Igreja neste tempo é viver a expectativa da volta de Cristo. O mundo tem massificado a ideia de que isso é apenas mito, e muitos cristãos têm vivido como se assim fosse. Muitos se esqueceram da promessa da volta e vivem como se aqui fosse a vida definitiva.
Talvez por esse motivo Jesus tenha lançado aquela pergunta intrigante de Lucas 18.8, onde questiona se quando regressar achará fé sobre a terra.
Parece que não, mas a pergunta é mais incentivadora do que reprovadora. Ela serve de incentivo para a Igreja crer na Sua volta, em meio a um mundo inteiro de descrentes e despreocupados. Basta olharmos para o contexto que Jesus nos fala: Ele cita o caso de um juiz que não respeitava a Deus nem a homem algum, mas que por motivos egoístas faz justiça por uma viúva. Se esse juiz fez justiça, quanto mais o Senhor, que é o Supremo Juiz, verdadeiramente justo.
Não é novidade que vivemos o tempo em que os valores morais têm sido deturpados completamente. O correto parece ter se transformado em errado. Quem pratica o que é certo é visto como “quadrado” e “vacilão”. É normal subornar, é normal receber um caixa 2, é normal trair o cônjuge, enfim, o erro virou usual, e ninguém pode se levantar para falar contra, pois é visto como inimigo.
Em nossa sociedade, por exemplo, temos visto o movimento homossexual se levantar com fúria contra os cristãos, que por sua vez são tidos como “fundamentalistas religiosos”, simplesmente por não aceitarem determinadas práticas pecaminosas. Isso é um exemplo de pecado se tornando usual. Isso é um sinal do fim dos tempos.
As pessoas têm subvertido a moral e a ética em troca dos seus prazeres pessoais. A felicidade individual tem causado um tremendo transtorno na sociedade, que a cada dia vem sucumbindo diante do pecado. O homem, na busca pelo seu próprio bem, sobrepuja o próximo e isso gera revolta, desigualdade, desequilíbrio e por fim, a falência social geral.
A Igreja é agente do Reino de Deus aqui na terra e como tal é responsável pela guarda da moral e da ética, além de ter o compromisso com a Palavra da Verdade. Muitos crentes têm deixado de ser éticos no seu proceder. Muitos pastores têm sido imorais nos púlpitos e em programas de TV. Isso nos mostra como os valores mundanos têm encontrado refúgio dentro das igrejas e por trás dos púlpitos.
Cada crente tem obrigação de lutar contra a inversão moral que tem dominado nossa sociedade. É necessário que cada um de nós entenda que também é responsável por manifestar a expectativa da volta do Senhor, mostrando essa esperança na sua forma de proceder.