quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A ORAÇÃO, O JEJUM E O RELACIONAMENTO COM DEUS

Por Rafael S. Gomes

Respondeu-lhes: Esta casta não sai de modo algum, salvo à força de oração [e jejum]. Marcos 9.29


Algumas pessoas tendem a pensar que, nesta passagem, Jesus está dizendo aos discípulos que determinadas castas de demônios só podem ser expulsas mediante uma oração forte, ou ainda, mediante um jejum poderoso, e por aí vagueiam pensamentos e ensinamentos tortos.
Na realidade, o que Jesus está ensinando aos discípulos, e a nós, é que o nível de intimidade com Deus é decisivo na vida de uma pessoa. Isso se aplica a todas as áreas de nosso viver. Seja na dificuldade com algum pecado que tentamos vencer, seja no relacionamento com o próximo, ou ainda, em um embate como o do texto, em que há uma determinada manifestação demoníaca. Enfim, no fim das contas, o nosso relacionamento com o Senhor será o divisor de águas.
Note que não estou dizendo que um relacionamento profundo com o Senhor fará de você uma pessoa imbatível, que tenha uma oração infalível, e sobre a qual nenhum mal ou derrota cairá. Não é isso! Definitivamente, não é isso. Não existem orações infalíveis, pois nós mesmos não sabemos orar como convém (Romanos 8.26), nem existem jejuns poderosos. Infalível e Poderoso é o Senhor, e o relacionamento com Ele deve mostrar-nos, cada vez mais, a nossa miséria e a Sua grandeza.
O que estou dizendo é que a intimidade com Deus leva, logicamente, à proximidade dEle, à companhia dEle. O que Jesus nos mostra é que quando se está próximo (junto de, nEle) de Deus, o mal não prevalece. Quando se tem uma vida de intimidade com o Senhor, e por isso a oração e o jejum foram citados por Jesus, nenhum demônio terá poder para prevalecer, pois a glória de Deus começa a ser manifesta através de nossas vidas.
Mas diante disso entendo que o segredo não está na quantidade de dias sem alimento que você venha passar, nem nas horas ininterruptas de clamor que você venha ter. Antes, o segredo está no quanto você se abre à transformação nos momentos em que se propõe a orar, a jejuar, a ler a palavra. O momento de intimidade deve também ser um momento de quebrantamento, de contrição, de mudança. Não devemos orar para sermos poderosos em oração, mas para sermos humilhados no momento em que falarmos com Deus. Não devemos jejuar para buscar outro propósito senão a presença de Deus em nossa vida.
Entendo que no mundo em vivemos, quando palavras como humilhação e quebrantamento são riscadas dos dicionários de algumas pessoas (infelizmente, inclusive de muitos crentes), soe peculiar aos ouvidos a declaração de que devemos orar para sermos humilhados. Mas entenda meu irmão, que quando você ora, quem deve ser transformado é você, sou eu, somos nós. No encontro com Deus nós devemos ser subtraídos de nós mesmos, e enchidos do Espírito Santo, e é por isso que digo "sermos humilhados".
Concluindo, quero dizer que muitas pessoas desejam poder, desejam orar e ver fogo caindo do céu, desejam realizar obras grandiosas, desejam expulsar demônios com a sua simples presença, no entanto, muitos não entendem que as maiores obras que vemos na Bíblia, realizadas por Deus através de seus servos, iniciaram de maneira invisível, no interior de cada um. Isaías, ao ver o trono de glória fora transformado, logo após foi enviado como profeta à nação. Moisés, antes de resgatar o povo e se tornar um dos maiores líderes da narrativa bíblica, passa por 80 anos de transformação, até estar apto para Deus usá-lo. Paulo, após passar por grande contrição, é enviado como apóstolo aos gentios.
No fim, percebemos que o caminho para a manifestação das maravilhas do Senhor em nossas vidas passa pela humilhação de reconhecermos que somos vasos de barro, pela dedicação de nossas vidas a Ele, até chegarmos à comunhão, e descansarmos em Sua presença.

Deus o abençoe!