sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

DEUS, O HOMEM E O CULTO

Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. João 4.22-24

Por Pr. Rafael Gomes
 
Esse é um dos textos mais conhecidos da Bíblia. A fala de Jesus à uma mulher samaritana.
Mas o que essa fala de Jesus tem a nos ensinar hoje? O que será que Jesus quis dizer quando mencionou a maneira como Deus espera ser adorado?
É importante entendermos que a fala de Jesus é extremamente relevante para nós nos dias atuais, pois vivemos em um tempo onde não há mais a devida importância à forma. Na verdade, hoje há uma espécie de "demonização" da forma, com falas do tipo: "o que vale é a essência, e não a forma".
Mas o Deus a quem servimos é um Deus formal, e que requer de seus filhos certa formalidade no culto a Ele.
E por que a necessidade da formalidade?
A resposta é bem simples. O homem sem regras se perde, se corrompe. Por isso é que Deus estabelece o caminho, estabelece a forma como o culto deve ser (1 Cor 14.40), bem como a adoração a Ele. É importante lembrar-mos de que Ele é Deus, e não nós. Dessa forma, Ele é quem dá os ditames, não nós.

O Problema do culto dos Samaritanos e dos Judeus (v.22)
Jesus diz que os samaritanos adoravam o que não conheciam (v.22). Isso fica claro se olharmos para o contexto da formação do culto dos samaritanos, em 2 Reis 17.24, 28-33. Houve uma série de influências pagãs no culto daqueles judeus de Samaria por conta de sua miscigenação  com outros povos.
Hoje, assim como aconteceu aos samaritanos, temos permitido uma série de distorções cruzarem a nossa vida com Deus. Desde os componentes do cotidiano (tempo mal gasto com inúmeras coisas), até os atravessamentos de culto propriamente ditos, que interferem diretamente na forma como nós adoramos a Deus (inúmeros acessórios têm sido anexados à fé das pessoas).
Já os judeus tinham o conhecimento do Deus cultuado por eles, mas não tinham a compreensão do culto, perderam o propósito; seu culto era apenas cerimonial, uma formalidade vazia. No entanto, possuíam todo o conhecimento bíblico da sua época, coisa que os samaritanos não possuíam por não crerem (eles não consideravam nenhum livro além do Petanteuco).
Essa é uma realidade que nos ensina muito quanto à religiosidade que Deus não quer que vivamos. Ele não quer que Seus filhos vivam a realidade de um cristianismo morto, vazio, apenas cerimonial. Deus espera que vivamos intensamente a vida para a qual Ele nos chamou em Cristo (1 Pedro 1.3).

Diante disso, Jesus nos leva a conhecer a forma correta de adoração (v.23)

Em espírito
O diálogo de Jesus com Nicodemos deixa bem claro para nós o conhecimento engessado dos judeus em relação a uma vida de adoração. Em João 3.4, 9, 10 vemos que Nicodemos não compreende quando Jesus fala a respeito de uma nova vida, pelo espírito, em Deus.
Um verdadeiro adorador é nascido do Espírito, e vive segundo o Espírito Santo (João 3.6,8). Deus busca pessoas que vivam na Sua completa dependência (João 3.8), que sejam nascidas de novo. Não é possível que um verdadeiro adorador permaneça na sua vida carnal. E como saber se vivemos pelo Espírito? Pelos frutos que geramos dEle (Gálatas 5.20).
Você tem vivido pelo Espírito Santo? Já experimentou verdadeiramente um novo nascimento? Tem expressado os frutos desse novo nascimento?

Em verdade
A segunda característica de um verdadeiro adorador, colocada por Jesus para a samaritana, é a adoração em verdade. E não é à toa que Jesus diz que a hora desses adoradores se manifestarem já chegou, pois Ele já estava ali.
Jesus inaugura um novo tempo no padrão de adoração a Deus. A hora já chegou!
João nos mostra quem é a verdade (João 1.14, 17). Jesus é a verdade (João 14.6) e sem Ele é impossível adorarmos a Deus verdadeiramente.
A adoração sem Jesus não tem verdade, pois Ele é aquele que nos habilita a adorarmos ao Pai como Ele espera que façamos. É Ele quem nos liberta de uma vida aprisionada na mentira e de um culto vazio a Deus ou a qualquer outro objeto de culto. Sem Ele não há adoração.
 
Conclusão
Deus em Sua infinita sabedoria e graça proporcionou aos Seus escolhidos a realidade de se tornarem um com Ele na adoração. A fala de Jesus ressalta, além do conceito de adoração, a unidade que o verdadeiro adorador tem com a trindade.
Note que a verdadeira adoração é ao Pai só pode ser mediante o Espírito Santo e Cristo Jesus. Somente aqueles que são regenerados (nascidos do Espírito) é que conhecem a verdade (que é Jesus) e podem cultuar (adorar) a Deus da forma como Ele procura.
A verdadeira adoração vai além da ideia de uma forma de culto. Ela é o próprio culto esperado pelo Pai. Ela evidencia uma vida regenerada, cheia dos frutos do Espírito, da verdade libertadora do Filho e do amor do Pai.
Pense na sua vida de adoração a Deus. Pense em como você tem evidenciado os frutos de uma vida regenerada (e se é que tem evidenciado). A hora já chegou!
Deus os abençoe!