Por Rafael Gomes
Texto Base: Romanos 2:1-4
Introdução
Após elencar uma série de pecados e depravações humanas em Romanos 1.18-32, o apóstolo Paulo agora inicia o capítulo 2 abordando uma questão muito profunda quanto ao juízo de valor sobre essas questões, e o juízo de Deus sobre aqueles que tais coisas praticam, e sobre aqueles que, embora reprovem tais práticas, não podem fugir delas.
O que está em questão aqui no capítulo 2 é o julgamento hipócrita do moralista e do falso religioso. Pessoas que se opõem à maldade, mas que não conseguem desvincular-se dela.
Na verdade, veremos ao longo dessa reflexão que, invariavelmente, esse capítulo fala a respeito de cada um de nós, dos nossos juízos de valores, e de nossas crenças numa falsa piedade que nos conduz à ideia de que estamos acima da justiça, tanto dos homens, como de Deus.
1. O Perigo do Julgamento Hipócrita
"Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem" (v.1)
A primeira coisa que aprendemos aqui é que Paulo não está falando que não devemos julgar. À luz do ensino de Jesus, em Mateus 7.1-3, Paulo aqui está desmascarando o juízo hipócrita daqueles que concordam com ele quanto à explanação de Romanos 1.18-32, mas que se acham imunes à ira de Deus, tão somente por entenderem-se superiores aos demais.
Em 1 Tessalonicenses 5.21, diz que devemos julgar todas as coisas, retendo o que é bom. A própria fala de Paulo aqui em Romanos é um julgamento. No entanto, precisamos fugir do julgamento hipócrita.
Sobre esse julgamento hipócrita, João Calvino diz, em seu comentário de Romanos:
"É como se dissesse: ainda quando não consintas nos vícios dos outros, e ainda quando, ao contrário, tem-se a impressão de seres um confesso inimigo e reprovador dos mesmos, todavia, visto que não te achas livre deles, se te examinares detidamente, não poderás oferecer defesa alguma em favor de tua conduta."
2. O Padrão Perfeito do Juízo Divino
"E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade" (v.2)
Segunda coisa que aprendemos aqui é que não importa o quão justo você pensa ser. Não importa o quão bom você acha que é. Não importam quão boas obras caridosas você seja capaz de realizar; todos se tornam passíveis da ira quando diante da verdade (v.2) e do modelo pelo qual seremos julgados, a saber, Cristo (v.16).
A expressão "A verdade sobre os que tais coisas fazem" envolve o conhecimento de que todos nós somos pecadores e praticamos a iniquidade. E que, ao sermos confrontados com o modelo, que é Cristo, todos pereceremos.
Existem pessoas que creem que Deus está sujeito à sua maneira particular de pensar e entender justiça e retidão. Na verdade, o padrão de retidão e justiça é Jesus Cristo (Colossenses 1.16,17; Efésios 4.13,14), e não nós mesmos.
Protágoras, antigo sofista da Grécia Antiga já dizia:
"O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."
Essa frase relativista se aplica bem a esse tempo onde a moral é subjetiva, e não há verdade absoluta, segundo alguns pensadores.
3. A Benignidade que Conduz ao Arrependimento
"...a benignidade de Deus te leva ao arrependimento..." (v.4)
Terceira coisa que aprendemos nesse texto é que, em decorrência da verdade que baseará o julgamento divino, todos pecamos e estamos distantes do modelo de Cristo. Mas todos seremos julgados de acordo com nossas obras, logo, quem permanecerá de pé diante dEle, se todos nós pecamos (Romanos 3.23)?
É necessário nos apropriarmos da obra de Cristo, para que por meio dela, sejamos justificados e absolvidos da culpa pelo nosso pecado. E isso, só é possível mediante ação de Deus em nós, conduzindo-nos ao arrependimento genuíno. Não é possível conhecermos a Cristo, sem que antes passemos pelo arrependimento genuíno.
Conclusão e Aplicação
Por isso, a minha oração nesse momento é para que Deus ministre o arrependimento de pecados em nossas vidas. Quebrantamento, santidade, anseio por agradar a Deus, e por apresentar-se dignamente diante dEle (Colossenses 1.10).
E que a Paz de Cristo possa nos cobrir nessa hora, e que a Sua graça nos leve ao caminho reto que agrada a Deus.
Amém!
Pregação ministrada à Igreja Batista Central de Campinho, em 29/03/2020, durante a pandemia. Esta mensagem é parte integrante da série de exposições em Romanos, iniciada naquele mês de março de 2020.