quarta-feira, 2 de maio de 2018

O EVANGELHO BASTA

Por Pr. Rafael Gomes

Segue abaixo um pequeno trecho, escrito pelo pastor reformado Timothy Keller, em seu livro Igreja Centrada, a respeito da centralidade do evangelho na vida da igreja e do ministério de cada cristão. Apesar de ser um trecho curto, é extremamente rico e relevante para a realidade eclesiástica, tendo em vista que nos últimos tempos o evangelho tem sido substituído por ativismos e ideologias que, embora oriundas dele (muitas vezes), não deveriam ser confundidas com ele.

"Cada forma de ministério é capacitada pelo evangelho, fundamentada no evangelho e resulta do evangelho.
Talvez uma ilustração nos ajude aqui. Imagine que você seja músico de uma orquestra e comece a tocar. Mas o som é horrível, porque os instrumentos estão desafinados. O problema não será resolvido simplesmente afinando os instrumentos uns pelos outros. Não vai dar certo se cada músico afinar seu instrumento pelo do colega ao lado, porque cada um estará afinando em um tom diferente. Não, os instrumentos têm de ser devidamente afinados por uma única fonte de tom. Geralmente tentamos afinar a nós mesmos de acordo com o som de tudo em nossa vida. Normalmente isso é descrito como "entrar em sintonia". Contudo, a pergunta a ser feita é: "Sintonia com o quê?", "Afinado com o quê?". O evangelho não começa a nos sintonizar em relação aos nossos problemas particulares e ambientes que nos cercam; em primeiro lugar, ele nos sintoniza novamente com Deus.
Se um elemento do ministério não reconhecido como um resultado do evangelho, poderá às vezes, ser confundido com o evangelho e, com o tempo, suplantará o evangelho na pregação e no ensino da igreja. Aconselhamento, liderança espiritual, prática da justiça, engajamento cultural, instrução doutrinária e até mesmo o evangelismo podem se tornar mais importantes que o evangelho. Nesses casos, o evangelho, como acima esboçado, não é mais entendido como a nascente, a dinâmica central da qual procedem todas as outras coisas. Ele não é mais o centro da pregação, do pensamento ou da vida da igreja; foi substituído por alguma outra coisa boa. Por conseguinte, o número de convertidos [genuinamente] começa a cair, uma vez que o evangelho não é pregado com o tipo de precisão que convence do pecado, expõe os segredos do coração (1Co 14.24,25) e dá aos cristãos e também aos não cristãos uma percepção da realidade de Deus, mesmo contra a vontade.
Por ser infinitamente rico, o evangelho consegue suportar o peso de ser o "elemento principal" da igreja."

Timothy Keller, Igreja Centrada, Ed. Vida Nova